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domingo, 13 de janeiro de 2008

“Resumo do Filme bicho de sete cabeças”

Esse filme relata a estória de um adolescente o Neto, que é internado pelo pai Sr.Wilson num manicômio, que toma essa decisão simplesmente pelo suposto envolvimento do rapaz com drogas, pelo fato de ter sido encontrado um cigarro de maconha nas suas coisas, O pai conservador, rude e ignorante que não procura em nenhum momento dialogar com o rapaz, nem tenta compreender as mudanças que passam na cabeça do filho numa fase tão conturbada como a adolescência o qual como muitos adolescentes apresentam um comportamento rebelde, reforçado pelo fato de procurar aceitação e identificação por um grupo de amigos do qual faz parte, incitando-o a utilizar bebidas alcoólicas, pichar muros e ter atitudes de confronto com o pai, esse adolescente não encontra apoio algum no âmbito familiar, composto por uma mãe submissa e uma irmã mais velha que chefia essa família.Sem preparo nem informação alguma o jovem é simplesmente deixado pelo pai nessa instituição onde é tratado de maneira agressiva, impiedosa e desumana, após receber alta, e retornando a outra instituição semelhante, leva o rapaz a tentativa de suicídio, ateando fogo aos cobertores num pequeno cubículo escuro onde se encontrava, quanto mais tempo no hospício, mais Neto vai ficando acabado, mental e fisicamente, o manicômio, que supostamente deveria curar o paciente, acaba por deixá-lo louco e mais alienado do que nunca, sem nenhum estímulo para o intelecto nem para o físico, e com funcionários violentos, resta-lhe apenas isolar-se em seu próprio mundo.O filme é encerrado com o pai, Sr.Wilson lendo uma carta de Neto, ou seja, ouvindo pela primeira vez a voz do filho.

A reforma psiquiátrica e os manicômios

A reforma psiquiátrica atuou transformando valores entre eles os valores sociais, nesse filme bicho de sete cabeças, fica bem claro a atitude da sociedade, com qualquer pessoa que demonstra-se algum comportamento diferente, ou seja, que está fora daquilo que a mesma considera normal,Neto é considerado pelo pai como homossexual ( alusão essa feita pelo fato do personagem usar brinco) e viciado em drogas, por ter sido encontrado um cigarro de maconha nas suas coisas comportamentos esses suficientes para justificar a internação do rapaz num manicômio.Posteriormente, vemos a atitude preconceituosa da mãe do amigo do neto ao fazer-lhes uma visita após o período da sua primeira internação, onde o mesmo é convidado gentilmente pelo então amigo a nunca mais aparecer naquela casa. A internação foi feita de maneira involuntária, ou seja, ele foi encaminhado ao manicômio, sem nenhuma explicação, embora esse tipo de internação possa ser solicitada, segundo a lei do Deputado Paulo Delgado que iniciou a luta da reforma psiquiátrica no campo legislativo, essa lei diz que existem critérios para se conseguir a internação de uma pessoa num manicômio, entre eles está a inclusão de um laudo médico o que evita possíveis erros e constata a real necessidade do internamento, critérios esse que não foi observado no caso do Neto, que não teve nenhuma avaliação Médica, nenhum exame, nem mesmo a consulta clínica de um profissional, justificando a sua estada na instituição, no filme bastou a irmã do rapaz contatar alguns conhecidos influentes o bastante pra lhe prestar esse favor,instituição essa que o Médico só aparecia uma vez por semana e mostrava um total desprezo e descaso com as pessoas internadas, nem sequer parando para ouvi-los, mais uma vez o personagem clama por alguém que o ouça, enfim que o compreenda. O médico, autoridade absoluta e inquestionável até então saber psiquiátrico se mostra frio e indiferente ao tratar o paciente a enfermagem estes que estão ali pra proporcionar conforto e segurança ao paciente, mostra total negligencia ao decorrer do filme, , não há uma preocupação diária com a higiene, e com a privacidade dos pacientes, já que vemos no filme num dado momento pacientes nus no pátio, há o fornecimento ou faciltamento de cigarros já que vemos muitos internos fumando, ( inclusive a mãe do protagonista, aparece no ínicio do filme com um cigarro na mão).Esse hospital era totalmente baseado no modelo hospitalocênctrico, já que a sua assistência estava baseada na internação ou seja a exclusão do paciente da sociedade, O Neto, foi excluído do convívio da família, dos amigos, da escola, a assistência no contexto do filme e antes da reforma estava baseada apenas na instituição já que todo paciente com distúrbios psiquiátricos precisava de uma para se recuperar, nos quais alguns métodos desumanos são evidenciados no filme, que foi o alvo da construção da crítica a esse tipo de hospital, que usava medicamentos fortíssimos, onde muitos pacientes ficavam em estado vegetativo e sem pensamentos, produziam alucinações, compartilhada até pelo diretor da instituição que se valia dos remédios, pacientes são trancafiados á exemplos do personagem que é preso por dias seguidos num cubículo escuro e fétido pelo enfermeiro que o acha indisciplinado, muitos sofrem agressões físicas, além dos choques elétricos praticas comuns em tais ambientes.

Em uma ligação feita pelo diretor do manicômio vemos, outra denuncia da reforma psiquiátrica a mercantilização da loucura é dado um incentivo a instituição pelo número de pacientes existentes no local, e para tanto não há escrúpulos o diretor diz: “pegaremos qualquer mendigo e lotaremos isso aqui!” Não há nenhum instrumento que avalie a instituição e possa levá-la ao descrendenciamento (nos casos das irregulares) como atualmente existe o PNASH/PSIQUIARIA na época anterior a reforma as únicas

possibilidades de fiscalização e avaliação eram os supervisores do SUS ou auditórias que atendiam a denuncias feitas por familiares de usuários, longe da realidade do filme, já que ninguém ouvia ao gritos de socorro de Neto, sua família antes das visitas era orientadas a não estranhar o comportamento do rapaz e a julgar pelo jardim da instituição e pelo aspecto corado e nutrido ( muitas vezes conseguidos a custa de remédios que lhe abria o apetite) não poderiam haver suspeitas.

Quando o Neto enfim consegue sair da instituição, vemos que ele não tem assistência alguma, após um período de internação prolongado não há nenhuma preocupação em reinseri-lo na sociedade, já que após um longo período internado necessitaria de apoio, para se readaptar como é dado atualmente pelos CAPs e NAPs e residências terapêuticas, ele precisaria do apoio dos Capsad ( que atende a usuários de drogas e álcool) já que supostamente ele se encaixa nesse perfil, essas instistuições são instrumentos de grande valor para a para a reforma, já que o seu principal objetivo é acabar com esse tipo de hospital ( manicômio) mas não deixar que pessoas egressas desses hospitais fiquem desassistidas ajudando assim no processo gradual de desistitucionalização desse paciente ,ou seja, até chegar o ponto dessa pessoa não depender mais de instituição alguma.

Vemos a importância da Reforma Psiquiátrica, pelo sofrimento que poderia ter sido poupado a milhares de pessoas como o Neto forçadas muitas vezes sem necessidade alguma a perderem suas vidas em manicômios, cuja proposta é recuperá-los,contribuindo muitas vezes para a morte desses indivíduos com terapias agressivas e com total falta de amor e respeito dando-lhes um tratamento vergonhoso e cruel, a reforma contribuiu para transformar práticas,saberes ,valores culturais e sociais, ressaltando o direito que essas pessoas tem de ter uma assistência inclusive de enfermagem de forma digna e humana.

4 comentários:

ClAUSURA versus LIBERDADE disse...

Olá Sofia Ramos, segue meu trabalho sobre a Reforma Psiquiátrica, gostaria que publicasse juntamente com o resumo do filme "Bicho de sete cabeças" que retrata muito bem a condição hospitalocêntrica em que os "Loucos' são instalados...




Clausura versus Liberdade

A maneira como a Saúde Mental é vista no Brasil, suas resistências e a procura pelo respeito aos direitos humanos


As maneiras de pensar e tratar a loucura são alvos de diversas discussões que caminham, há mais de 20 anos, visando mudanças no âmbito da saúde pública. Um dos principais objetivos dessas mudanças ainda designa polêmica: a extinção progressiva dos hospitais psiquiátricos e, como substituto, a instalação de uma rede de serviços de atenção à saúde mental que leve em conta a liberdade e o acesso à cidadania dos portadores de sofrimento ou transtorno mental.



A História da Loucura


A Loucura, hoje vista com olhos diferentes, nem sempre foi considerada algo negativo, ou até mesmo doença. Na Grécia antiga ela já foi considerada até mesmo um privilégio. Filósofos como Sócrates e Platão, ressaltaram a existência de uma forma de loucura tida como divina e era através do delírio que alguns privilegiados podiam ter acesso a verdades divinas. Tal fato, não impedia os “privilegiados” de viverem no meio das pessoas “normais”.

Gradativamente, a loucura vai se afastando do seu papel de portadora da verdade e vai se encaminhando em uma direção completamente oposta, passando a excluir o louco da sociedade, pois estes começam a incomodar.

Os primeiros estabelecimentos criados para limitar/esconder a loucura destinavam-se simplesmente a retirar do convívio social as pessoas que não se adaptavam a ele.

No século XIII, a loucura passa a ser objeto do saber médico, começa a ser caracterizada como doença mental e, portanto, torna-se passível de cura. A razão/normalidade ocupa um lugar de destaque, pois é através dela que o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade. É em meio a esse contexto que o hospital surge como um espaço terapêutico.

Para garantir seu funcionamento, o modelo hospitalar necessitava da instauração de medidas disciplinares que visassem garantir a nova ordem. Surge então, uma delimitação desse espaço físico, onde são fundamentais os princípios de vigilância constante e registro contínuo, de forma a garantir que nenhum detalhe escape a esse saber. O hospital acaba por tornar-se um mundo à parte, afastando cada vez mais o indivíduo de suas relações exteriores. O discurso que alimenta esse sistema percebe os loucos como seres perigosos e inconvenientes que, em função de sua "doença", não conseguem conviver de acordo com as normas sociais. Retira-se, então, desse sujeito todo o saber acerca de si próprio e daquilo que seria sua doença.

Um cenário propício ao o surgimento dos movimentos reformistas da psiquiatria desponta com o pós-guerra. Começam a surgir, em vários países, questionamentos quanto ao modelo centrado no hospital psiquiátrico, apontando para a necessidade de reformulação.

Uma importante questão nessa concepção de reforma diz respeito ao conceito de "doença mental", o qual passa a ser desconstruído para dar lugar à nova forma de perceber a loucura enquanto "existência-sofrimento" do sujeito em relação com o corpo social.

Em continuidade ao processo da Reforma, em 1987, 1992 e 2001, foram realizadas as Conferências Nacionais de Saúde Mental, que possibilitaram a delimitação dos objetivos da reforma psiquiátrica brasileira atual e a proposição de serviços substitutivos ao modelo hospitalar. Dentre os marcos conceituais desse processo destacam-se o respeito à cidadania e a ênfase na atenção integral, onde o processo saúde/doença mental é entendido dentro de uma relação com a qualidade de vida.




A Reforma Psiquiátrica




Muitos dos chamados “loucos” passaram suas vidas em instituições, perdendo a própria saúde e até mesmo sua cidadania, pois quando retornavam à sociedade, após alta, eram discriminados e não conseguiam a sua re-inserção.

Somente no final dos anos 70, se começou a pensar em alterar essa realidade. Neste contexto, surge a Reforma Psiquiátrica, a qual propõe a desinstitucionalização, ou seja, que o atendimento aos “loucos” ocorra de forma mais humana, fora dos hospitais psiquiátricos.

Propõe também, que exista uma rede de cuidados para os doentes mentais, abrangendo todas as suas necessidades. Essa rede deve localizar-se próxima as suas residências, apresentando atendimento diário. Assim não é preciso retirar o doente mental de sua convivência familiar e social.




Instrumentos de atenção aos doentes mentais fora de um hospício:

CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) onde são oferecidos atendimento médico, psicológico, psiquiátrico, assistência social, dentre outros. Uma de suas propostas são as oficinas terapêuticas, tais como: artes e bijuterias, as quais, tem como um dos objetivos a obtenção de renda.

Residências Terapêuticas, casas onde os doentes mentais podem residir (os que não possuem família, ou que a mesma não os quer mais), reintegrando-os à sociedade.

Programa de Volta para Casa, o doente mental que deixou o hospital psiquiátrico, pode vir a receber um auxílio mensal, o qual, contribuirá para sua emancipação.




O objetivo central da Reforma Psiquiátrica é que todo ser humano, sendo ele doente mental ou não, tenha sua singularidade respeitada.

“Portadores de transtornos mentais têm direito à liberdade, ao trabalho, à moradia e à convivência social”.

Mayra Loiola disse...

Adorei seu resumo sobre o "filme Bicho de Sete Cabeças". Ja percebi de cara que temos muitas coisas iguais, como por exemplo ENFERMAGEM que é minha razão de lutar diariamente que me realizo.
To passando por essa disciplina nesse periodo e com toda certeza será enriquecedor esse trabalho para mim....
Grata..
Mayra Loiola

ilsa disse...

Parabens. Vc realmente tem algo muito em comum comigo.Bjo ILsamar Brasilia DF

ilsa disse...

Parabens.Vc realmente ama o que faz. Bjo ILSAMAR Brasilia DF